Dúvida Em Relaçao A Fé


Internauta perguntou no meu canal do Youtube:
“Olá, como vai? Seu trabalho é excelente, obrigado.
Mas tenho uma pequena duvida de lidar com pessoas que julgam-me de forma equivocada pois, sou ateu.
Respeito a opinião alheia, embora seja difícil lidar com os mesmos.
Como um ateu poderá interagir sem ser tratado como irregular, imoral, monstruoso e quaisquer maneiras cruéis de nos interpretarem?”
Olá Thiago, obrigado por escrever.
Respeitar a opinião alheia é uma coisa. Acatá-la é outra coisa completamente diferente.
Você diz que está sendo julgado por ser ateu. Mas se parar para pensar verás que crentes e ateus não são muito diferentes.  Crentes acreditam num Deus.  Ateus acreditam num Não-Deus.  Mas a crença de que existe ou a crença de que não existe algo continua presente.
Entenda uma coisa: Sempre que alguém defende uma ideia será ridicularizado.
Você diz: “Acredito em Deus!” Daí então seus amigos começam a perguntar: “Mas e as criancinhas que nascem doentes?” ou “Por que tantas guerras?” e blá-blá-bla….
Você diz: “Não acredito em Deus” e, então, eles continuam perguntando: “Mas e as belezas da natureza?” ou “E a perfeição do Universo e tudo o que existe?”
Se quiser um conselho, no seu caso, eu não levantaria bandeira nenhuma. Nem a bandeira dos crentes, nem a bandeira dos ateus. Isto é cansativo e te rouba uma energia danada. Ademais você não precisa ficar dando explicações para ninguém acerca do que acredita. E se alguém te acha mostruoso pelo fato de você acreditar em alguma coisa diferente… bem, isso é problema da pessoa e só vai te incomodar se você der muito valor ao que ela está dizendo.
Deixa eu te contar uma história:
Sidarta Gautama Buda nunca falava nada sobre Deus ou sobre a vida após a morte. Porém, certa vez um jovem perguntou para Buda: “Deus existe?”
E Buda disse: “Não. Ele não existe.”
Em seguida, um outro rapaz se aproximou e fez a mesma pergunta: “Deus existe?”
E desta vez, Gautama Buda respondeu: “Sim existe”
Ananda, que era o primo secretário de Buda ficou intrigado: “Mestre, não compreendo… ao primeiro disse que Deus não existe. Ao segundo que existe.  O que isto significa afinal? Qual é a resposta correta?”
Sidarta respondeu: “Eu conheço estas duas pessoas. Cada uma delas teve a resposta correta. A primeira é um crente fanático que acredita em tudo o que dizem para ele. É uma mente dominada pelas ideias e pelas crenças pré-fabricadas de outras pessoas. É uma pessoa que precisa criar mais autonomia em seus próprios pensamentos. Precisa aprender a pensar por conta própria. Então eu disse que Deus não existe e isto provocará nele uma profunda reflexão de seus conceitos. Afinal, dizem que Deus existe. Mas, quem sabe…
Já o outro rapaz teve seus motivos ao longo de sua vida para não acreditar em nada. Ele é um cientista, um matemático e só acredita naquilo que pode ser comprovado pelos seus olhos de carne. Mas o mundo é um lugar tão vasto e o Universo tão infinito. Quem sabe Deus não está por aí, escondido em algum lugar, esperando para ser encontrado um dia. E ele é um rapaz tão jovem… se ele assumir agora que Deus não existe, vai desistir de procurar. E há tanto ainda para ser descoberto. Quem sabe…”
Assim, amigo Thiago. O crente vai dizer que Deus existe. O ateu vai dizer que não existe. Mas se você for sincero com suas percepções, talvez diga um dia “Quem sabe…”
A propósito, aqui vai uma musiquinha da minha infância que gosto muito:

E além disso tudo, como diz a música: “Muita gente não crê no que acredita”. Então, não se importe muito com aquilo que falam para ti.
Quem sabe, Thiago… quem sabe…
Sucesso e Felicidade Para Você!