Que tal tirar seus sapatos?

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Sabe, às vezes eu tenho a sensação de que as pessoas vivem a vida como se fosse um celular que nunca sai da tomada. É mensagem do WhatsApp pra cá, correria pra lá, e elas vão ficando com a “bateria viciada”, cansadas de um jeito que sono nenhum resolve.

Ao longo de mais de 30 anos atendendo e conversando com pessoas, percebi que, quando a coisa aperta, o melhor remédio não está na farmácia, nem na tela do computador. Está no chão, no vento e nas folhas.

  • Pisar na terra: É como se a gente estivesse descarregando uma energia estática que não pertence a nós.
  • Ouvir o silêncio do mato: Na verdade, não é silêncio, é o som da vida acontecendo sem pressa.
  • Observar as plantas: Elas não tentam ser nada além do que são. Uma árvore não está preocupada em crescer mais rápido que a vizinha; ela simplesmente floresce no tempo dela.

Gosto de pensar que nós somos como rios. Se ficamos represados entre paredes de concreto e asfalto por muito tempo, a água acaba ficando parada, pesada. Mas, quando entramos em contato com a natureza, é como se as comportas se abrissem. A gente volta a fluir, a contornar as pedras com mais facilidade e a seguir o caminho com muito mais clareza.

Não precisa de muito. Não precisa de uma expedição na Amazônia. Às vezes, dez minutos cuidando de um vaso de planta ou caminhando em um parque já faz a gente lembrar que somos parte de algo muito maior.

Que tal tirar os sapatos hoje e sentir o mundo sob os seus pés?

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